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Cleveland luta para ser melhor

qui, 30/09/10
por Francisco Quinteiro Pires |
categoria Planeta Brasil

Cleveland-Museum-of-Art5-740657Cleveland repete uma história. Depois de experimentar um passado industrial de esplendor, a cidade mais populosa de Ohio lida com os escombros da decadência e com a revitalização do seu espaço urbano. Vimos o mesmo ocorrer, com sucessos variados, em Pittsburgh (PA) e Newark (NJ), que sofreram com a perda de população e de recursos provocada pela falência de indústrias. O Planeta Brasil chegou ontem a Cleveland, que lança mão da cultura para ser melhor. Promovida por parcerias público-privadas, as atividades culturais se mostram, mais uma vez, como uma das decisões mais acertadas para o renascimento de um espaço urbano. O Cleveland Museum of Art está ampliando o seu prédio e conta com uma coleção de arte invejável. Esse museu é cercado por outros, como o de História Natural, e por instituições, como a Cinematheque, do Cleveland Institute of Art, dedicadas ao ensino e ao estudo das belas artes. Perto dessa área, conhecida como University Circle, está o Rock and Roll Hall of Fame, construído em homenagem ao gênero que teria sido inventado pelo locutor de uma rádio local. Com arquitetura imponente, o edifício do rock foi erguido em 1995, sendo mais uma iniciativa para a renaissance de Cleveland, localizada à beira do lago Erie. Outro local em moda é o Shaker Square, onde há vários restaurantes, entre eles um brasileiro moderno. Ali os clientes podem comer uma feijoada diferente, em que o arroz servido em um bowl se esconde sob o feijão e as carnes de porco. Outro pedaço do Brasil é encarnado por Anderson Varejão, jogador e estrela do Cleveland Cavaliers, time de basquete. O Planeta Brasil acabou de chegar aqui, estreando a sua participação na região dos Grandes Lagos. Mais descobertas virão com a ajuda dos brasileiros que encontrarmos pelo caminho.

As complicações de Newark

qui, 02/09/10
por Francisco Quinteiro Pires |
categoria Planeta Brasil

Maior cidade de New Jersey – o Garden State -, Newark tem uma história complicada. Altamente industrializada nos séculos 19 e 20, ela abriga uma comunidade considerável de brasileiros, sobretudo no Ironbound, região no East Ward, um dos cinco bairros da cidade. Para entender melhor a presença dos imigrantes brasileiros no Ironbound, nem só a proximidade de Nova York – se derem sorte, em meia hora de trem as pessoas podem chegar a Manhattan – é uma explicação suficiente. O estabelecimento de compatriotas em Newark tem a ver com os portugueses, vindos para a cidade em duas ocasiões. Primeiro, no começo do século passado e, depois, nos anos 1970, quando ocorreu a Revolução dos Cravos, que depôs o regime ditatorial de Portugal. Os lusos foram responsáveis por manter o comércio ativo de uma cidade que assistia ao êxodo das pessoas abastadas. Foi isso e um pouco mais que o Planeta Brasil aprendeu ao entrevistar João, mineiro há 25 anos em Newark e funcionário da prefeitura. Ele nos contou que 1967 foi crucial para a história da cidade. Em julho daquele ano, houve uma série de distúrbios públicos, causadores de dezenas de mortes, realizados pelos negros. Eles se manifestaram, no contexto da luta pelos direitos civis, contra a discriminação e a opressão. A população negra é grande e elegeu políticos afroamericanos para os cargos públicos da cidade. Os incêndios que destruíram Newark durante os distúrbios públicos transformaram o seu futuro. Depois de perder o foco industrial, a cidade sofreu com a violência. Em 1996, chegou a ser a mais perigosa dos EUA, segundo a revista Time. A década atual, ora chegando ao fim, é marcada pelo processo de revitalização. A prefeitura investiu no traçado urbanístico. O período também se tornou notório com a sucessão política. Um documentário que conta bem essa história tem o nome de Street Fight. Acompanha a campanha de Cory Booker, o atual prefeito, para suceder Sharpe James em 2002. O filme de Marshall Curry revela cenas estarrecedoras sobre James, parecido com aqueles coronéis políticos bem conhecidos do eleitorado brasileiro. James se comportava como um homem acima da lei. Apesar do comportamento autoritário, ele bateu Booker naquela eleição. Negro e democrata, Cory Booker voltou à carga em 2006, quando foi vitorioso. À época, ele era cotado como um candidato promissor à Presidência dos EUA. Para analistas, ao se eleger prefeito de Newark, ele teria se complicado com os exigentes desafios da cidade, o que lhe roubaria popularidade. A Casa Branca foi habitada por outro negro, Barack Obama. E Newark, casa de tantos imigrantes – além dos brasileiros e portugueses, há muitos porto-riquenhos, equatorianos, dominicanos, jamaicanos, haitianos, africanos, espanhóis, italianos, irlandeses -, continua complicada, lutando contra o passado e pelo futuro.

Francisco Pires – Planeta Brasil – TV Globo Internacional



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