sáb, 18/09/10
por Mila Burns |
Vai ao ar este fim de semana o programa que gravamos no Brazilian Day Canadá, em Toronto. Você pode até pensar que brasileiro é parecido em todo lugar e a gente tem mesmo uma coisa única: a alegria, o jeito de encarar os problemas, a mania de festejar. Mas o Brazilian Day do Canadá é diferente do de Nova York, que é diferente do de Londres, de Miami, do Japão. Não apenas porque as atrações mudam, mas as pessoas mudam, o cenário é outro e isso acaba sendo inspirador.
No do Canadá, não dá para deixar de mencionar que uma estrela, no palco, fez toda a diferença. É difícil imaginar o carnaval de Salvador num país tão diferente, mas ele aconteceu, bem ali, em praça pública, para quem quisesse ver. Não foi à toa que os canadenses envolvidos no evento a toda hora me puxavam com um sorriso no rosto, perguntando : “isto é normal”? Acho que não é normal, não. É único. É brasileiro.
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sex, 27/08/10
por Francisco Quinteiro Pires |
Comecei a entender melhor o Brasil quando vim morar nos Estados Unidos. A distância me serve como lente de aumento. Os defeitos e as qualidades dos brasileiros ganharam contornos mais nítidos. Por isso foi uma surpresa ver Jean Charles. Estou falando de um filme que conta a história de um imigrante brasileiro morto pela polícia no metrô de Londres há cinco anos. De quebra, traça um perfil interessante dos compatriotas que deixaram o Brasil para realizar uma vida melhor. Dirigido por Henrique Goldman, o longa-metragem narra a trajetória londrina de Jean Charles de Menezes. O fim é trágico: o eletricista mineiro foi assassinado por ter sido confundido com um terrorista. Em julho de 2005, Londres esteve paralisada pelo medo provocado por ataques terroristas no metrô. Jean Charles se destacou por dois motivos: ele ajudava os brasileiros recém-chegados e falava para aproveitarem o cosmopolitismo da capital inglesa. Ele entendia o fato de que muitos brasileiros arriscavam viver na Inglaterra sem visto para economizar dinheiro para a família. Mas não admitia que não aprendessem o inglês nessa temporada de trabalho e poupança ou que não viajassem. A existência não se restringe a só trabalhar. Esse é um assunto delicado, mas presente no difícil cotidiano dos imigrantes. A obra de Henrique Goldman retrata com detalhes o universo de quem é brasileiro fora do Brasil. Mas não podemos esquecer que o filme é ficcional, o que nos leva a desconfiar de certas caracterizações. A cena em que Jean Charles é morto pela polícia londrina não condiz, por exemplo, com a versão oficial. No longa-metragem, o mineiro teria sido morto dentro do vagão do metrô, onde estava sentado. Na vida real, ele teria sido atingido por disparos quando corria na plataforma para não perder o trem. As autoridades inglesas admitiram ter errado, mas ninguém foi punido pelo assassinato.
Francisco Pires – Planeta Brasil – TV Globo Internacional
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