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Diminuiu o número de imigrantes sem documentos

sex, 03/09/10
por Francisco Quinteiro Pires |
categoria Planeta Brasil

O número de imigrantes sem documentos diminuiu nos Estados Unidos. Segundo o Pew Hispanic Center, entre 2007 e 2009 houve uma queda de 12 milhões para 11,1 milhões de imigrantes. Os EUA têm, hoje, 39,4 milhões de imigrantes, 28% dos quais sem documentos.

A redução se concentra entre indivíduos nascidos na América Central e na América do Sul. A quantidade de mexicanos se manteve estável – eles são o grupo majoritário (7 milhões ou 60% dos imigrantes sem documentação).

A pesquisa se baseou no Censo de março de 2009. Os resultados têm de ser relativizados, porque muitos entrevistados se recusam a responder com medo de prisão e deportação. Eles acreditam que as informações do Censo vão ser enviadas para o Department of Homeland Security, secretaria federal responsável pela imigração.

Florida, Nevada e Virginia são os Estados com a maior diminuição de imigrantes sem documentos. Depois de viverem um crescimento no setor de construção de casas, que atrai imigrantes sem papéis, eles experimentaram um forte declínio.

A redução não significa uma saída em massa dos EUA. O centro de pesquisa não se aventurou a explicar as causas da retração. Sabemos que existem a crise econômica que se arrasta desde 2007 e o reforço da vigilância da fronteira com o México. A violência promovida por gangues ligadas ao narcotráfico torna mais perigosa a travessia para os Estados Unidos. No mês passado, 72 imigrantes foram assassinados em Tamaulipas, no nordeste mexicano, perto do Texas. Ao menos, um desses mortos foi confirmado como sendo brasileiro. Até agora poucos corpos foram reconhecidos – o reconhecimento pode demorar até mais de ano. Esse fato se soma ao aumento de cadáveres encontrados no deserto ao redor da cidade de Tucson, no Arizona. Os necrotérios da região estão lotados. A situação é tão grave que a Guatemala abriu um consulado na fronteira. El Salvador planeja a criação de dois postos consulares, um deles perto de Tamaulipas. O fluxo de imigrantes continua, apesar da queda revelada pela pesquisa do Pew Hispanic Center.

A crise econômica e a vigilância mais rígida na fronteira explicam a diminuição em 900 mil do número de imigrantes sem documentos. Mas será que o sonho de fazer a vida nos EUA foi afetado pra valer? Ou os imigrantes a caminho dos EUA estão pouco informados sobre a real situação do país? O que você pensa?

Francisco Pires – Planeta Brasil – TV Globo Internacional

O universo do imigrantes

sex, 27/08/10
por Francisco Quinteiro Pires |
categoria Planeta Brasil

Comecei a entender melhor o Brasil quando vim morar nos Estados Unidos. A distância me serve como lente de aumento. Os defeitos e as qualidades dos brasileiros ganharam contornos mais nítidos. Por isso foi uma surpresa ver Jean Charles. Estou falando de um filme que conta a história de um imigrante brasileiro morto pela polícia no metrô de Londres há cinco anos. De quebra, traça um perfil interessante dos compatriotas que deixaram o Brasil para realizar uma vida melhor. Dirigido por Henrique Goldman, o longa-metragem narra a trajetória londrina de Jean Charles de Menezes. O fim é trágico: o eletricista mineiro foi assassinado por ter sido confundido com um terrorista. Em julho de 2005, Londres esteve paralisada pelo medo provocado por ataques terroristas no metrô. Jean Charles se destacou por dois motivos: ele ajudava os brasileiros recém-chegados e falava para aproveitarem o cosmopolitismo da capital inglesa. Ele entendia o fato de que muitos brasileiros arriscavam viver na Inglaterra sem visto para economizar dinheiro para a família. Mas não admitia que não aprendessem o inglês nessa temporada de trabalho e poupança ou que não viajassem. A existência não se restringe a só trabalhar. Esse é um assunto delicado, mas presente no difícil cotidiano dos imigrantes. A obra de Henrique Goldman retrata com detalhes o universo de quem é brasileiro fora do Brasil. Mas não podemos esquecer que o filme é ficcional, o que nos leva a desconfiar de certas caracterizações. A cena em que Jean Charles é morto pela polícia londrina não condiz, por exemplo, com a versão oficial. No longa-metragem, o mineiro teria sido morto dentro do vagão do metrô, onde estava sentado. Na vida real, ele teria sido atingido por disparos quando corria na plataforma para não perder o trem. As autoridades inglesas admitiram ter errado, mas ninguém foi punido pelo assassinato.

Francisco Pires – Planeta Brasil – TV Globo Internacional



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