
Novembro de 2010. Mais ou menos, quatro da tarde. Estou sentado, trabalhando na minha mesa, no prédio da TV Globo no Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Meu chefe me chama na sala dele. Lá, reunidos, estavam o diretor da Globo Internacional, o coordenador de conteúdo do canal e o dono da FJ productions, que faz o Planeta Brasil, na Califórnia.
Entrei, sem ter a menor idéia do que me esperava. “André, o que você acha de ser o repórter da nova temporada do Planeta Brasil nos Estados Unidos?”. Como assim?! Estados Unidos?? Reportagem para o Planeta Brasil? Por essa, decididamente, eu não esperava. Fiquei de boca aberta.
Abre parênteses. Sou um completo apaixonado pelo Rio de Janeiro. Suas infinitas belezas e suas graves mazelas. Meu mundo era aquela cidade, por mais que, sempre que pude, tenha viajado por ai. Sou extremamente apegado à minha família, tenho alguns muito bons amigos do peito, um sobrinho e três meninas lindas de morrer que são minhas afilhadas. Uma de batismo, as três de coração. Resumidamente, esse sou eu. Ou era… Fecha parênteses.
Cinco dias depois do convite, e de uma introspecção digna de budistas, topei o novo desafio. A vida é assim… Cheia de surpresas.
Uma ida à São Paulo, pra conhecer a equipe da Globo Internacional lá e… natal, réveillon e… empacota livro, esvazia casa, providencia documento, se despede de tudo e de todos e lágrimas e lágrimas e lágrimas. Várias de alegria, outras previamente saudosas…
Dez de janeiro de 2011. Um dia lindo. Acordo cedo, arrumo mais algumas coisas, pego a bicicleta e vou dar um mergulho. Verão, Rio de Janeiro… by, by. Na volta pra casa, preparativos finais. Minha mãe, minha irmã, meu sobrinho, Antonio (de 5 anos), dois “amigos-irmãos”, entre eles, meu compadre, minha comadre e Marina e Joana, minhas afilhadas de, quase, dois anos. Ou seja, um apartamento pequeno com 6 adultos e 3 crianças que corriam de um lado para o outro. E malas, e malas, e mil coisas espalhadas. Um caos super afetivo. Uma delícia de despedida.
Dezoito horas e trinta minutos. Fecho a porta da minha casa, onde ficou morando um dos meus “amigos-irmãos”. Mãe, pai e compadre vão comigo até o aeroporto. Muita emoção na hora do embarque. Muita mesmo… E, de repente, me aparece o repórter Marcos Uchoa, da TV Globo. Uchoa, além de um querido amigo de ótimas peladas, foi meu tutor no processo de migração para a reportagem. Ele tinha ido ao aeroporto deixar a filha, que vive nos EUA… um encontro marcado? Uma bela coincidência, com certeza.
Já então, minha viagem dava sinais alvissareiros.
Onze de janeiro de dois mil onze. Número bom pra numerologia -11/1/11 (rs). Vinte e cinco horas depois que deixei minha casa, desembarco em Los Angeles, na Califórnia. Fui recebido pela produtora do Planeta, Clara Benjamin, que me levou para um hotel, onde fiquei 10 dias, até encontrar um lugar para morar.
Nesse meio tempo dei entrada no Social Security Number, abri uma conta de não-residente num banco e conheci todo o povo que vai fazer o Planeta comigo. Além da Clara, o dono da FJ, Fábio Golambek, o editor de imagens, Gustavo Silva e o cinegrafista Alan Hernandez. Alan, é uruguaio. Gente do bem, que também imigrou em nome dos sonhos. Gente que compartilha muita coisa, como tenho descoberto no meu dia-a-dia. Percebo que são traços comuns entre nós, brasileiros nos EUA, a superação, a separação, a determinação e o trabalho duro.
Não é fácil realizar sonhos… mas é incrível quando se descobre que o processo pra chegar lá, já é o sonho em si. E é assim que começo essa minha jornada. É assim que começo o programa, com esse espírito. Para mostrar como cada brasileirinho no estrangeiro faz pra dar conta do recado, pra ser feliz, mesmo tão longe de casa e de tantos amores que lá ficaram.
Grande abraço
André Szapiro