Olá amigos.
Como prometi no post anterior hoje conto como foi chegar na cidade de Sendai pela primeira vez..

No inicio da semana posterior ao dia 11 de março repórteres e equipes de Tvs do Brasil chegavam ao Japão para fazer a cobertura do terremoto seguido de tsunami que atingiu a região nordeste do país.
O correpondente da Tv Globo Roberto Kovalick que trabalha atualmente no Japão contou com o apoio da equipe da IPCTV para essa cobertura. No time escalado estava, Sanae (produtora) Suzuki (cameraman) e Takenaka (motorista).
Eles foram os primeiros a chegar nas areas atingidas e relataram aos principais telejornais da Tv Globo o que viram.
Desde de criança sempre fui muito mais ligado a cultura brasileira do que a cultura japonesa, quando aconteceu essa tragédia que abalou o Japão entendi o chamado do sangue, senti uma imensa necessidade de ajudar, e quando fiquei sabendo que um onibus carregado de donativos iria para Sendai não pensei duas vezes e me prontifiquei acompanhar a caravana, que além de mantimentos também levava água para as vitimas.

Saimos da provincia de Saitama da cidade de Honjo, rumo a Sendai. Mesmo sabendo do racionamento de combústivel resolvemos arriscar, tinhamos o suficiente para ir e voltar, mas se acontecesse algum imprevisto isso poderia nos complicar, não sabiamos como estavam as condições da estrada.
Me lembro que o caminho escolhido foi por Nigata, e encarar as montanhas de Yamagata não foi nada fácil, nevava muito. As vias expressas que ligava o nordeste do Japão com outras regiões do país estavam interditadas, no caminho passamos por vários postos de gasolina embusca de combustível e a historia se repetia, sempre vinha um funcionário do posto e dizia não temos como abastecer vocês. Até que depois de quase 5 horas de viagem encontramos um posto em Nigata e foi a nossa salvação. O gerente se comoveu com a atitude dos voluntários que estavam arriscando a própria vida para ajudar as vitimas dessa tragédia. Graças a ele conseguimos encher o tanque do onibus e mais quatro galões reserva. Fazia muito frio e para economizar combustível seguimos viagem com o aquecedor desligado.
FOTO: Entrada da via expressa que estava interditada em Nigata, fazia muito frio essa noite tempertaura menos 5 pra me proteger usei roupas de Snowboard. .

14 horas depois chegamos em Sendai e uma das coisas que me impressionou foi a quantidade de carros empilhados uns sobre os outros, havia muito combustivel vazando desses veículos o que deixava a cidade com cheiro de gasolina e com risco iminente de incêndio. Esses carros foram arrastados pelo tsunami e dentro de muitos deles ainda havia corpos. A sensação era que estavamos no meio de uma guerra, pra todo lugar que olhava via destruição.

Conseguimos entregar os donativos para muitas pessoas que estavam andando pelas ruas embusca de água e comida, dentre elas uma mulher com um bebê recém nascido, e um grupo de jovens que procurava comida no meio dos escombros.

A caravana seguiu para a escola de bombeiros de Sendai, e lá deixamos o restante dos donativos que foram redirecionados para os abrigos públicos.
Na maioria das vezes que estive em Miyagi pude contar com a habilidade e coragem de um jovem cinegrafista Gustavo Kuwagaki, foi ele quem fez praticamente todas as imagens que entraram nas minhas reportagem.

Foto: Tirada em Ishinomaki ( Essa vila de pescadores foi completamente defastada pelo tsunami )
Me lembro que existia uma linha imaginaria uma espécie de fronteira invisível. Toda vez que me aproximava das zonas de risco ficava completamente sem comunicação com o resto do mundo, o celular não funcionava, e a internet também, e por algumas vezes até o GPS falhou. A noite era muito mais frio que de dia e as baterias da nossa camera descarregavam mais rápido com essa queda de temperatura, isso complicava a vida do Gustavo que alem de filmar tinha que adiministrar o tempo de gravação, se as baterias descaregassem não teriamos como recarregar, por que pelos lugares que passamos não havia energia eletrica. Foram momentos dificeis, mas de muito aprendizado.