Dois irmãos, um amor, um só sonho.
“Esse é o momento do sertanejo no Brasil e vemos que no Japão também! O concurso veio provar e valorizar isso, dando espaço pra pessoas já conhecidas na noite e outros tantos talentos que ainda não haviam tido oportunidade! Não estamos vendo isso como uma disputa mas sim como um espaço que se abriu e que com certeza foi de grande aprendizado para todos nós que estamos participando aqui!” .
É assim que Milton e Rodrigo Ishiy olham para a música desde sua infância. Nascidos em São Paulo, Capital, quando garotos ouviam os discos de vinil que a mãe colocava na “vitrola” selecionando um vasto repertório sertanejo.
Chitãozinho e Xororó, João Mineiro e Marciano, Leandro e Leonardo e inúmeros outros cantores fizeram parte da infância dos irmãos que cresceram vendo o pai cantarolar e arranhar seu violão.
Em 1997, já adolescentes, seus pais resolvem fazer o caminho inverso e trocam a cidade pelo campo. Mudam-se para Adamantina, região oeste do estado de São Paulo. Ponto decisivo para a todo o caminho que seguiriam dali em diante.
Começaram a frequentar rodas de violas promovidas pela própria família e se inspirar no tio bisavô Chiquito Neves, com quem aprenderam o verdadeiro valor da música raiz. Decididos, montaram a dupla “Junior e Rodrigo” e apesar do grande sucesso que alcançavam músicas como Evidências, É o amor e Entre tapas e beijos, foram alvo de críticas dos jovens da mesma idade que curtiam Legião Urbana, Skank e tantos outros grupos POP.
Um nome diferente
Em 1998, estourava nas paradas a dupla Rionegro e Solimões. Foi quando um amigo empresário artístico disse: “Troquem de nome. Hoje vocês são como João e José, se perdem entre tantos outros. Olha aí essa dupla nova, quem ia acreditar em dois caras que levam o nome de rio?”.
“Chegamos em casa com aquilo na cabeça e comentamos com nossa mãe”, recordam. Que na brincadeira propôs para que usassem o nome da cidade onde ela e sua mãe nasceram, Campos Novos Paulista.
“A gente aceitou na hora e de momento ela recuou, disse que estava brincando. Que era um nome muito velho para dois garotos. Mas não teve jeito e partir daí nos tornamos Campos Novos e Paulista”, revela Campos.
Além das fronteiras
Em 2000, os problemas financeiros os fizeram parar com a música, aproveitar a descendência japonesa do pai e partirem para o trabalho no Japão. Sem nunca imaginar que um dia plantariam sementes musicais nessa terra.
Na chegada, logo encontraram um karaokê em um restaurante brasileiro. Fizeram amizade e em pouco tempo já aceitavam pedidos dos clientes. O convite para um show em uma casa noturna não demorou chegar , resultando em várias apresentações.
Em 2005 já no Brasil, gravam o primeiro CD Acústico com músicas próprias e releituras. Voltando ao Japão em 2006.

Mais maduros, abraçaram a idéia de levar a música sertaneja além das fronteiras e desde então se apresentam nos mais marcantes eventos da comunidade brasileira e alguns da comunidade japonesa tentando mostrar que além do samba temos um grande tesouro a ser explorado, a música do campo.
Agora trabalham a música “Deixa falar o coração”, que já está conquistando o público sertanejo no Japão e no Brasil.
Já conheceram melhor a história dessa dupla?
Agora é só conferir o som deles no Brazilian Day. E olha que felicidade!
“É um momento especial e uma grande responsabilidade estar em um evento tão marcante para o nosso povo brasileiro. Vamos representar um movimento que já se enraizou dentro da comunidade e isso nos deixa muito orgulhosos e apreensivos, claro. Pela primeira vez o sertanejo ganha um espaço deste porte e é importante abraçar, aproveitar a oportunidade para mostrar ao Japão que além do Samba e da Bossa Nova, temos um poesia que vem da terra e é nascida nos campos do Brasil! Vamos nos empenhar em fazer uma grande festa caipira nesta noite e contamos com todos vocês !!!!”
Depois de tanta batalha, chegou a hora do reconhecimento.
Boa sorte para vocês!
por Yuka Wada