Dia 11 de março fez 2 anos de uma das maiores catástrofes já vista pelo mundo o terremoto seguido de tsunami que atingiu a região nordeste do Japao.
Retornei recentemente a Tohoku. O lugar está limpo sem entulhos, mas ainda há cicatrizes na alma das pessoas que sentiram na pele essa tragédia.
Há dois anos estive em Minami Sanrikucho com o cinegrafista Luciano Tsuda.
Foto: Tirada no dia 20/04/2011
Na parte alta de Minami Sanrikucho ficava fácil ver o tamanho da destruíção lá embaixo.
Um dos lugares que ficou marcado na minha memória foi a escola Kadowaki na cidade de Ishinomaki. No dia 13 de março2011 quando cheguei na região de Tohoku as informações eram confusas, pouco havia sido avaliado, um verdadeiro caos. Quando vi aquela escola completamente destruída resolvi averiguar o que tinha ocorrido ali. No pátio da escola havia dezenas de carros empilhados, alguns estavam queimados como se estivessem explodidos. As paredes da escola também tinham sinais de fogo.
Foto: Tirada dia 13/03/2011
Fiquei tão impressionado com o local que resolvi entrar. Era quase impossível caminhar no meio de tanto entulho. Ouvi um barulho em uma das salas e quando me aproximei encontrei duas professoras procurando pertences pessoais. Elas me contaram que na hora que o tsunami chegou largaram a bolsa com todos os documentos, e agora estavam a procura deles. Perguntei por que havia tantos carros empilhados lá fora. Uma delas me contou que assim que deu o terremoto muitas empresas liberaram os funcionarios para que eles pudessem buscar os filhos. O que ninguém imaginava era que em seguida viesse o tsunami, muitos carros de pais de alunos foram atingidos pela onda e acabram morrendo na frente da escola. Até aquele momento as crianças ainda não sabiam que estavam orfãs. Como a escola ficava perto de um morro a maioria dos alunos e professores conseguiram escapar com vida.
Foto: Dia 13/03/2011 parte interna escola Kadowaki
A escola de Kadowaki se tornou um lugar de peregrinação muitas pessoas vão até lá depositam flores, e oram. A prefeitura ainda não sabe se vai demolir a escola Kadowaki ou transforma- la em um memorial.
Dois anos depois voltei a escola Kadowaki, o lugar está limpo sem entulhos. Passou um filme na minha cabeça e foi impossível não se emocionar.
Foto: Dia 07/03/2013
Andei de carro por toda costa da região nordeste e pude constatar que pouco foi reconstruído a impressão que tive é que muitas pessoas não querem mais voltar pra lá. Isso faz a reconstrução perder sentido em algumas regiões. Deve ser por isso que há um imenso descampado no lugar onde havia casas e vilas. Nessa ultima viagem reencontrei o senhor Ogata. Foi um reencontro feliz.
Foto: Dia 07/03/2013
O senhor Ogata ( 76 ) é um caso fora de serie. Ele perdeu tudo. Familiares, amigos e a esposa. Mas não perdeu a bravura de lutar pela vida. Movido pela esperança ele me contou que ainda não encontraram o corpo da esposa e que todos os dias ele sonha com ela.
Meu primeiro encontro com o senhor Ogata aconteceu no ano passado no dia 11 de março de 2012. ( Completava um ano de tragédia ) A única coisa que tinha sobrado do antigo estabelecimento dele eram as quatro colunas de ferro, com uma tenda improvisada com uma lona, ele continuava trabalhando fazendo o Yakisoba ( Macarrão frito com verduras e legumes ). Agora o senhor Ogata não passa mais frio, ele ganhou um caminhãozinho equipado com uma pequena cozinha. Mas ele ainda continua trabalhando no mesmo lugar, no meio das quatro colunas de ferro que ainda continuam firme que nem ele. O senhor ogata também acha que a prefeitura deveria aproveitar esse imenso espaço vazio para criar um jardim, assim as pessoas iriam até lá e diriam nossa que lugar bonito, e deixariam a tristeza de lado.
Mostrei a história dele no Programa Agenda Mais da Ultima sexta- feira dia 08/03/2013.
Foto: Dia 07/03/2013
Também mostramos a história da Roseli Tacashi, ela e a família estavam num abrigo em uma area de risco e foram resgatadas por uma ação promovida pela embaixada e consulado, isso aconteceu algumas semanas depois que o Tsunami atingiu a costa nordeste do país. Logo após ser resgatada eles foram para o Brasil e retornaram ao Japao em janeiro de 2012.

Hoje ela e a família vivem na cidade de Ishinomaki. A Roseli Tacashi nos emocionou com seus relatos. Segundo ela o Brasil é bom. Mas ela se sente mais avontade no Japão. Mesmo vivendo em uma casa temporaria do governo, e sabendo que a qualquer momento pode acontecer outro terremoto ela acha que recomeçar a vida no Japão é mais fácil que no Brasil. A família da Roseli aos poucos vai criando uma rotina, o marido já está trabalhando, a filha Michele voltou a estudar, e a Roseli agora estuda japonês, e está fazendo um curso de artesanato. Foi muito bom reencontrar a família Tacashi e ver que eles estão tocando a vida pra frente, construíndo um novo futuro.
Desejamos muita força pra lutar e fé pra vencer pra todos que continuam nessa batalha.
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