qui, 02/09/10
por franciscoqp |
Maior cidade de New Jersey – o Garden State -, Newark tem uma história complicada. Altamente industrializada nos séculos 19 e 20, ela abriga uma comunidade considerável de brasileiros, sobretudo no Ironbound, região no East Ward, um dos cinco bairros da cidade. Para entender melhor a presença dos imigrantes brasileiros no Ironbound, nem só a proximidade de Nova York – se derem sorte, em meia hora de trem as pessoas podem chegar a Manhattan – é uma explicação suficiente. O estabelecimento de compatriotas em Newark tem a ver com os portugueses, vindos para a cidade em duas ocasiões. Primeiro, no começo do século passado e, depois, nos anos 1970, quando ocorreu a Revolução dos Cravos, que depôs o regime ditatorial de Portugal. Os lusos foram responsáveis por manter o comércio ativo de uma cidade que assistia ao êxodo das pessoas abastadas. Foi isso e um pouco mais que o Planeta Brasil aprendeu ao entrevistar João, mineiro há 25 anos em Newark e funcionário da prefeitura. Ele nos contou que 1967 foi crucial para a história da cidade. Em julho daquele ano, houve uma série de distúrbios públicos, causadores de dezenas de mortes, realizados pelos negros. Eles se manifestaram, no contexto da luta pelos direitos civis, contra a discriminação e a opressão. A população negra é grande e elegeu políticos afroamericanos para os cargos públicos da cidade. Os incêndios que destruíram Newark durante os distúrbios públicos transformaram o seu futuro. Depois de perder o foco industrial, a cidade sofreu com a violência. Em 1996, chegou a ser a mais perigosa dos EUA, segundo a revista Time. A década atual, ora chegando ao fim, é marcada pelo processo de revitalização. A prefeitura investiu no traçado urbanístico. O período também se tornou notório com a sucessão política. Um documentário que conta bem essa história tem o nome de Street Fight. Acompanha a campanha de Cory Booker, o atual prefeito, para suceder Sharpe James em 2002. O filme de Marshall Curry revela cenas estarrecedoras sobre James, parecido com aqueles coronéis políticos bem conhecidos do eleitorado brasileiro. James se comportava como um homem acima da lei. Apesar do comportamento autoritário, ele bateu Booker naquela eleição. Negro e democrata, Cory Booker voltou à carga em 2006, quando foi vitorioso. À época, ele era cotado como um candidato promissor a Presidência dos EUA. Para analistas, ao se eleger prefeito de Newark, ele teria se complicado com os exigentes desafios da cidade, o que lhe roubaria popularidade. A Casa Branca foi habitada por outro negro, Barack Obama. E Newark, casa de tantos imigrantes – além dos brasileiros e portugueses, há muitos porto-riquenhos, equatorianos, dominicanos, jamaicanos, haitianos, africanos, espanhóis, italianos, irlandeses -, continua complicada, lutando contra o passado e pelo futuro.
Francisco Pires – Planeta Brasil – TV Globo Internacional
sem comentário »
qua, 01/09/10
por franciscoqp |
O Planeta Brasil diagnosticou um fenômeno interessante entre os imigrantes brasileiros que assistem ao programa. Muitos sofrem de bairrismo. Mas é um bairrismo saudável. Estamos recebendo muitas mensagens de imigrantes brasileiros defensores das cidades norte-americanas onde escolheram morar. Reclamam que ignoramos muitas delas. Eles têm razão de ficar bravos. E nós temos razão de ficar chateados. Não há nada mais triste do que deixar de contar uma história, a sua história. Pedimos paciência a todos que acompanham o Planeta Brasil. Como somos apenas um caminhão viajando pelos Estados, um país continental, temos certa dificuldade de visitar todos os lugares. Acredite, estamos chegando. Enquanto isso, só não vale falar que a cidade de adoção dos outros imigrantes brasileiros é mais feia.
Francisco Pires – Planeta Brasil – TV Globo Internacional
sem comentário »
ter, 31/08/10
por franciscoqp |
As pessoas têm menos confiança em quem fala o inglês com sotaque. A afirmação parece espantosa, mas é resultado de uma pesquisa publicada no Journal of Experimental Social Psychology. Ao entrevistar 35 pessoas, dois pesquisadores israelenses, intrigados com o impacto que o sotaque teria, perceberam que a falta de credibilidade na pronúncia estrangeira do inglês pode nascer não somente da xenofobia (aversão a estrangeiros). O mesmo vale para as imagens e para as palavras – quando é fácil decodificá-las, além de satisfação, o indivíduo sente maior confiança. Os pesquisadores dão o exemplo de uma folha de jornal molhada, com letras borradas – o efeito psicológico no leitor é terrível. O desconforto, eles provam, também se faz sentir na fala. É uma descoberta curiosa, pois o inglês é a língua franca em um mundo que busca a globalização. As diferentes pronúncias, nesse caso, são inevitáveis. A dica do Planeta Brasil é a seguinte: se alguém que fala o inglês como língua nativa torcer o nariz para o seu sotaque, saiba que não é nada pessoal.
Francisco Pires – Planeta Brasil – TV Globo Internacional
4 comentários »
seg, 30/08/10
por Tanira Lebedeff |
Alô, alô Planeta Brasil!
Participe da cobertura da festa do Brazilian Day em Nova York. Mande para nossa produção vídeos e fotografais contando como foi o aquecimento para a festa, as caravanas, mostrando a alegria da sua turma no meio da multidão.
Mande um email para planetabrasil@globotv.com ou deixe seu recado aqui que a gente entra em contato com as instruções.
sem comentário »
dom, 29/08/10
por franciscoqp |
O Planeta Brasil foi à Union Square, em Manhattan, encontrar Neguin, campeão do Ultimate BBoy Championship deste ano, realizado em Las Vegas. Ele é bboy, dançarino de hip hop, gênero musical inventado em Nova York. Bboy integra com o MC (mestre de cerimônias), o DJ (disc jockey) e o grafite os quatro elementos formadores do hip hop. Nascido em Cascavel (PR), Neguin tem 22 anos. Embora tão jovem, conheceu vários países da Europa, da Ásia e da América. Isso foi possível porque ele decidiu se profissionalizar – não queria passar a vida “fritando hambúrguer em McDonalds”. Ele tem Nova York em alta conta, uma cidade cosmopolita, com uma “energia diferente, onde as pessoas têm a mente aberta”. De fato, é impressionante a reunião de dançarinos de hip hop do mundo inteiro na Union Square, às últimas sextas do mês. Nesse espaço público, Neguin mostrou grande agilidade nos passos de dança, influenciados pelos golpes de capoeira. Quando ele entrava na roda, a vibração era geral. Neguin acrescentou a ginga brasileira à pluralidade cultural de Nova York.
Francisco Pires – Planeta Brasil – TV Globo Internacional
sem comentário »
dom, 29/08/10
por Mila Burns |
Seguimos para a Virgínia com poucas informações sobre o universo dos brasileiros que lá vivem. Sabíamos, sim, que eram muitos. Lemos bastante sobre o estado que se aproximava, mas nada que lhe fizesse justiça. A Virgínia costuma aparecer nos livros de história como o último dos estados do sul, apesar de, quando olhamos para o mapa, ela ficar lá em cima. É que, durante a guerra civil americana, o país foi dividido a partir dali.
Essa contradição de pertencer ao sul estando bem mais próxima do norte, plantou uma cultura única, misturada. Ruas com jeito de Washington, pessoas com jeito de Mississippi. Obras de arte e parques com cara de Nova York, comida com tempero da Lousiana.
Na Virgínia, encontramos riquezas naturais, como o granito brasileiro, lá vendido por empresários capixabas que vivem em Raleigh, na Carolina do Norte. Conhecemos também o artista plástico-serralheiro Nildo, dono de uma auto-estima bonita de se ver, que muitas vezes nos falta (um dos trabalhos dele é este aí, na minha mão, na foto acima). Passeamos, ainda, por Charlottesville, a cidade-natal de Thomas Jefferson, considerada uma das melhores em qualidade de vida nos Estados Unidos. Vocês vão entender por que no programa deste fim de semana! Aproveitem!
Mila Burns – Planeta Brasil – TV Globo Internacional
9 comentários »
sex, 27/08/10
por franciscoqp |
Comecei a entender melhor o Brasil quando vim morar nos Estados Unidos. A distância me serve como lente de aumento. Os defeitos e as qualidades dos brasileiros ganharam contornos mais nítidos. Por isso foi uma surpresa ver Jean Charles. Estou falando de um filme que conta a história de um imigrante brasileiro morto pela polícia no metrô de Londres há cinco anos. De quebra, traça um perfil interessante dos compatriotas que deixaram o Brasil para realizar uma vida melhor. Dirigido por Henrique Goldman, o longa-metragem narra a trajetória londrina de Jean Charles de Menezes. O fim é trágico: o eletricista mineiro foi assassinado por ter sido confundido com um terrorista. Em julho de 2005, Londres esteve paralisada pelo medo provocado por ataques terroristas no metrô. Jean Charles se destacou por dois motivos: ele ajudava os brasileiros recém-chegados e falava para aproveitarem o cosmopolitismo da capital inglesa. Ele entendia o fato de que muitos brasileiros arriscavam viver na Inglaterra sem visto para economizar dinheiro para a família. Mas não admitia que não aprendessem o inglês nessa temporada de trabalho e poupança ou que não viajassem. A existência não se restringe a só trabalhar. Esse é um assunto delicado, mas presente no difícil cotidiano dos imigrantes. A obra de Henrique Goldman retrata com detalhes o universo de quem é brasileiro fora do Brasil. Mas não podemos esquecer que o filme é ficcional, o que nos leva a desconfiar de certas caracterizações. A cena em que Jean Charles é morto pela polícia londrina não condiz, por exemplo, com a versão oficial. No longa-metragem, o mineiro teria sido morto dentro do vagão do metrô, onde estava sentado. Na vida real, ele teria sido atingido por disparos quando corria na plataforma para não perder o trem. As autoridades inglesas admitiram ter errado, mas ninguém foi punido pelo assassinato.
Francisco Pires – Planeta Brasil – TV Globo Internacional
4 comentários »
qua, 25/08/10
por Mila Burns |
Temos recebido, com alegria, a mensagem de telespectadores de todos os cantos das Américas nos convidando para uma visita. Mas também chegam, volta e meia, mensagens de brasileiros frustrados dizendo “poxa, vocês já passaram por aqui e eu acabei ficando de fora”. Gente, nem pensem nisso! Ainda temos muito chão pela frente e não é porque já passamos por um lugar que não vamos voltar! Se a sua história for bacana, se houver outros brasileiros, se o lugar onde você vive vale a pena ser mostrado, pode avisar, sim, mesmo que a gente já tenha atravessado o seu estado! Nossa aventura não tem data para acabar. Enquanto tiver história para contar, a gente segue na estrada!
Mila Burns – Planeta Brasil – TV Globo Internacional
10 comentários »
sex, 20/08/10
por Mila Burns |
Quando fomos a Carolina do Norte, tínhamos uma idéia clara na cabeça: encontraríamos poucos brasileiros, um estado bacana, com algumas indústrias e ainda passaríamos no lugar onde os irmãos Wright teriam feito o primeiro vôo de avião, só para causar polêmica.
Não foi nada disso.
Para começar, a região de Raleigh e do chamado triângulo é um segundo Vale do Silício. Também têm um dos maiores centros de medicina do país. Por lá, brasileiros fazem o que podem. Do bom e velho biscate ao desenvolvimento de redes de segurança nos computadores do governo americano.
Mas a surpresa maior veio mesmo em Outer Banks. Se o céu da Carolina do Norte já era de um azul único, clarinho que nem na caixa de lápis de cor de 36 cores havia, o de Outer Banks é ainda mais impressionante. No lugar onde os tais irmãos americanos teria tirado a supremacia do nosso Santos Dumont, tudo é lindo. Dunas, pontes imitando ondas e uma praia onde os moradores são cavalos selvagens, que protagonizaram o filme Nights in Rodanthe (Noites de Tormenta, com Richard Gere) e nos foram apresentados por um casal de brasileiros legal à beça. Imperdível.
Mila Burns – Planeta Brasil – TV Globo Internacional
21 comentários »
sáb, 07/08/10
por Mila Burns |
Amigos, o Planeta deste fim de semana vai ser mais longo! Bem, na verdade, o programa tem o mesmo tempo de sempre. Hoje, traz mais um pouco do nosso passeio pela Geórgia. Vamos a Marietta, depois conhecemos a turma de Piracanjuba que vive por lá, passeamos por Savannah, uma cidade linda, linda, onde foi gravado Forrest Gump, entre outros blockbusters.
Mas quando digo que vai ser mais longo é porque vocês vão poder ficar com a gente mais tempo. Logo depois do Planeta, o Altas Horas traz uma entrevista comigo e com o Francisco Quinteiro Pires, nosso repórter cinematográfico. Viemos a São Paulo para a gravação, super bacana, ao lado do queridíssimo Serginho Groisman. Também estavam lá a atriz Mayana Moura, o chef Olivier Anquier, o cantor Alexandre Pires, a banda Mombojó, e muito mais. Foi um dia maravilhoso e o resultado a gente vê juntos hoje.
A foto ao lado é só para vocês terem um gostinho. Depois, digam o que acharam do Planeta e do Altas Horas, hein? Beijão, já com saudades da estrada!
11 comentários »